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30 de março de 2026

Brasil Lento, Mundo Acelerado: Enquanto Trump se Move, Brasília se Arrasta

12/08/2025 — Marta Bellini

Por Marta Bellini

O mundo não para e quem para, perde. Essa é a lição que o novo “tarifaço” de Donald Trump, voltado a proteger a economia norte-americana e impulsionar sua indústria, já está deixando clara. Enquanto a Casa Branca se move com velocidade e estratégia para blindar empregos e setores produtivos, o Brasil segue patinando em decisões fundamentais para o seu próprio futuro.

A proposta do governo americano, ao taxar importações e redesenhar políticas fiscais, não é apenas um movimento protecionista: é uma mensagem direta de que a economia é, acima de tudo, prioridade de Estado. No entanto, por aqui, o que vemos é um governo que parece preso a gabinetes, grupos de trabalho e discursos vazios, sem qualquer senso de urgência.

O impacto das medidas de Trump para o Brasil é evidente: setores como o agronegócio, a indústria de base e até a exportação de commodities sentirão os efeitos. Era esperado que, diante disso, o governo brasileiro agisse rapidamente, redesenhando políticas comerciais, buscando novos mercados e reforçando sua competitividade. Mas a reação foi morna, quase protocolar.

A morosidade em Brasília não é novidade. Seja na reforma tributária que se arrasta por décadas, seja em programas de incentivo à inovação que nunca saem do papel, o padrão é sempre o mesmo: enquanto o mundo acelera, o Brasil procrastina. Essa inércia custa caro: empregos, investimentos e credibilidade internacional.

Pior ainda é perceber que a discussão sobre como reagir ao tarifaço americano está mais preocupada com o impacto político interno do que com a realidade econômica global. É o velho jogo de empurrar decisões para não “arriscar” a popularidade, mesmo que isso signifique condenar o país a perder relevância.

O Brasil precisa entender que não há tempo a perder. Enquanto ficamos na retórica, outros países correm para ocupar espaços no mercado internacional, atraem investimentos e se posicionam como alternativas viáveis às novas barreiras americanas.

Se o governo não despertar, corremos o risco de assistir mais uma vez à história se repetir: um país com potencial gigantesco, mas que perde a corrida simplesmente porque não teve coragem (ou agilidade) para começar a correr.